Refletindo na minha insônia de hoje, resolvi que vou relatar a percepção dia a dia do caminho. O Facebook me lembrará sempre é essa experiência não quero esquecer...
Dia 1 - 2 de janeiro de 2019
A jornada já começa na viagem. Acordamos as 3 da manhã (de uma noite ansiosa) e nos dirigimos para o aeroporto. 5 min de Van do hotel. O checkin internacional não pode ser feito nas máquinas e nem no app. Tensão para a reserva que aparecia como inexistente. Humanos nos salvaram, quando apareceram. As 4:10 da manhã. Voo era as 5:55. Promessa da mochila ir direto para Porto... 2 conexões (poa - vcp - Lisboa - Porto). Campinas foi a mais complicadinha. Mas deu certo. Depois de 18h chegamos. A mochila estava lá mesmo. Fiquei com medo de extravio, mas depois do primeiro dia de caminho com ela, pensei que nem seria tão ruim... kkkk
Hostel AirPorto- primeira experiência adulta de lugar coletiva. (excursão do colégio não conta) Muito boa!!! Limpinho, quentinho, banho bom, edredom e roupas de cama limpas e quentes. Até suei a noite.
Tinham 2 espanholas no nosso quarto. Nada sociais, mas foi bem ok.
Dia 2 - 3 de janeiro de 2019
Porto - Valença do Minho - caminhando até Tuí
Acordamos as 8, tomamos um café bem gostoso (ok, eu tinha certo preconceito com hostel - sou uma pessoa simples para tudo, mas não conhecer me fazia desconfiar...)
Fomos de metrô para a Se do Porto pegar a credencial de Peregrino. Detalhe para o autosserviço, pouco explicativo do metro. Mas foi ok (acho que compramos errado, foi bem caro)
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| Passamos pela catedral do Porto e pegamos nossas credenciais |
Passeamos pela zona central, bem linda por sinal! Pegamos a credencial, comprei minha concha e seguimos andando. Pegamos um uber para a rodoviária, compramos passagens, almoçamos ali mesmo e fomos para Valença.
Detalhe para o sistema português (um pouco pejorativo esse comentário) de organização da rodoviária: as plataformas tem números ( que não servem para nada) e na passagem tem o número do ônibus ( que fica em algum lugar - e brasileiros inexperientes precisam adivinhar - ou levam pito de motorista kkkk)
Mas conseguimos achar o ônibus. Uma viagem muito boa. Estrada maravilhosa, ônibus muito bom. Até Braga, tudo tranquilo. Eis que na saída da rodoviária vem correndo um rapaz atrás do ônibus. Leva um pito do motorista, mas consegue entrar. Era brasileiro tanto, o que nos levou a comentar como era difícil essa estrutura das rodoviárias. Conversa vai, conversa vem, vamos todos para o caminho.
O caminho já começou a mostrar que ele comanda, nos mandando companhia de viagem... descendo do ônibus, começamos a caminhar até Tui. Valença tem uma fortaleza lindíssima, com uma vila dentro. Caminhamos passeando, e logo entramos no último bar português do caminho. Chopp é maravilhoso nessa região.
Acabamos indo para o mesmo hostel. Só nós. Está bem frio (o que mostrou ser uma vantagem para caminhar, mas isso só relatarei no dia 3). Albergue privado muito bom. Limpo, bonitinho, tinha máquinas de lavar e secar, banho muito bom. Sairíamos as 8 e meia no próximo dia, já que o sol só nasceria as 9.
Noite boa. Um detalhe sobre os albergues no inverno. Não fica ninguém. Eles te dão a senha da porta, se for sair e voltar, deixam café se tiver incluso e desejam Buen Camino a lá marcha. A noite jantamos num restaurante muito bom. Indicado por um tiozão gente boa, que fumava seu charuto tranquilo na rua. Apesar de nada típico, só comi comida boa até agora.
Dia 3 - 4 de janeiro de 2019
Acordamos as 7. Café, organização da bagagem, saímos 8:20. Uma vista linda de Tui, o caminho pelos becos e centrinhos históricos lindíssimo. E frio. Nada absurdo 3º, estávamos preparados. Mas o frio não foi diminuindo... a medida que fomos caminhando, foi ficando mais frio. Ué, ritmo bom de caminhada já esquentaríamos. Mas o caminho passava numa floresta, numa montanha. Resumindo, -3º. Congelou a água, meu cabelo, bigode do Miti. Nosso novo companheiro de viagem tem um ritmo forte. Caminhamos até 10k sem parar. Um breve lanchinho no frio extremo e seguimos a Porriño. Caminho lindo, não muito difícil. Ué, não era dificuldade 3? Era. Tomamos um café ao meio dia (uau 19k em 3h e meia? Todo mundo bem? Arrasamos nessa história de caminho...)
Conhecemos um casal de portugueses que havia nos passado no começo da caminhada lá em Tui. Contaram que vinham de Porto, muito simpáticos. Vão ficar aqui? Sim, tem muita subida até Redondela. Mas só faltam 11km! Moleza... não. Não e não.
Até Mos estava muito calor. O sol apareceu e a sensação térmica era de 30°. Ah, caminhar no frio é muito melhor. Mas não tinha subidas exageradas. O português devia ser meio Nutella. Kkkk doce ilusão.
Já na saída de Mos (paramos 2 min, tava tranquilo, só para tomar água, repor alimentação) subidona. Ops achei que ia dar bolha. Parei, fiz curativo, tudo bem, falta pouco para Redondela.
Não, não faltava pouco. Agora é que faltavam 11km. De porriño são 17 até Redondela. Sendo 5km de subida infinita. E depois... uma descida infinita. Redondela está no nível do mar... exaustão chegou. Pernas falhando, dor, cansaço. Eu já havia experimentado essa sensação na peregrinação para Borda. Sabia que estava tenso.
O objetivo era ficar no albergue público. Não rolou. Rolaria se ele fosse o primeiro. Acabamos ficando em um lindo, super arrumadinho, um tratamento impecável. O rapaz até arrumou um secador de cabelo para mim. Muito frio, tomamos banho e fomos comer. Hoje comi Lula, ou calamares daqui. E muito ibuprofeno de sobremesa...
amanhã sigo contando, na insônia das 3.
Dia 4 - Redondela a Pontevedra - 5 de janeiro de 2019
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| Igrejinha chegando em Pontevedra |
Ontem à noite, após uma breve reflexão sobre a caminhada, decidimos doar nossos sacos de dormir. E rezar para os próximos albergues que ficarmos terem o conforto dos anteriores.
O milagre do caminho nos abençoou. Conseguimos andar!
Eu tinha lido sobre ele, mas aquele 1% estava sem fé. Venceram os 99%.
Saímos às 8:15 para tomar café da manhã bem pertinho do Hostel. Começamos o caminho quase 9. Estava friozinho (uns 3°

) mas assim que a caminhada começou, já esquentamos. Incrível como fica confortável, mesmo com temperaturas quase 0.
A paisagem foi maravilhosa por uns 17 dos 21km. Trechos de estrada de asfalto foram os menos interessantes.
Andamos muito tempo em uma floresta, com pedras e riozinhos que passavam pelo caminho. Alguns lugares o riozinho era o próprio caminho. Chamou atenção os lugares congelados (grama, pasto, beira do caminho); somente quando batia o sol que derretiam. Andamos por 4h e meia.